Estamos com uma sorte dos diabos, essa é que é a verdade.
Tenho a impressão que, sustentados nessa sorte, os jogadores de nosso time não se importam de errar passes de 3 metros, correr pouco, ver o adversário passar em direção ao gol, perder divididas... nada disso.
A sorte que este ano pousou em nosso quintal é de fazer cego enxergar colorido em questão de minutos. É de fazer um mendigo ganhar a mega-sena todas as semanas.
Pois acreditem os incrédulos, apesar da nossa vexatória derrota para um timinho vagabundo (que me desculpem os torcedores do Coritiba, mas é a mais sacrossanta verdade), ainda estamos no G-4.
Porque esse milagre? Porque o Grêmio nos fez o favor de meter um gol nas marias no finalzinho do jogo.
Não foi pelas nossas pernas. Foi pelas pernas dos gremistas.
Se dependesse de nossos jogadores, o Galo estaria hoje lá pelo meio da tabela.
Quantas vezes tivemos a oportunidade de assumir a liderança? 5 vezes, eu respondo. 5 vezes com tudo escancarado, bastando para isso cumprirmos o dever de casa.
Quantas vezes conseguimos? Nenhuma vez. Não fomos capazes, não tivemos culhões e nem personalidade para alcançar a meta. Não fomos machos o suficiente para atropelar todo mundo quando tínhamos tudo para sermos campeões até mesmo antecipadamente, amparados por essa sorte tamanha que, se remexermos na memória, nunca esteve do nosso lado com times muito superiores a este.
Não me venham dizer: Ah, você é um dos mentores da campanha para apoiar incondicionalmente o Atlético nos últimos jogos!
E eu lhes respondo: Continuo a favor do apoio incondicional ao Galo até o apito final do último jogo, seja lá qual for a posição na tabela.
Mas não consigo ser falso e muito menos cego. Não vou desrespeitar a seriedade deste blog escondendo o sol com a peneira, como se isso fosse a tradução mais fiel do atleticanismo. Atleticanismo é quando você apoia de forma absoluta o time, mas nem por isso você se torna cego, mudo e surdo.
Nem vou criar ilusões ensandecidas como se o nosso time fosse o melhor do mundo. Não é e necessita, para 2010, de muitas incisões cirúrgicas, principalmente na alma.
Podem existir atleticanos tão atleticanos quanto eu, mas mais é impossível. Aliás, duvido muito que exista alguma pessoa menos atleticana que eu, pois atleticano é tudo igual. Somos todos ligados no último volume.
Portanto, como atleticano, me julgo no direito de criticar Márcio Araújo (desligadasso), Feltri, Tchô (um caso perdido), Carlos Alberto e Jonilson (que não jogou nada hoje). Foram meras figuras decorativas em um jogo que tinham tudo para serem protagonistas.
Devo dizer que Carini foi o melhor do Galo. Se não fosse ele, levaríamos uma sonora goleada de um time limitadíssimo que lutava para não cair para a segunda divisão. Volto a repetir: temos novamente um senhor goleiro depois de muitos anos com o gol vazio.
Correa correu como um louco. Deu um sangue atroz. Tardelli também. Éder Luis idem. Ricardinho se esforçou, mas não rendeu o que se esperava dele, embora desse o passe para o gol. Benitez cometeu um penalti ridículo, mas foi um senhor zagueiro durante quase toda a partida. Werley é um defensor esforçado, nada mais. Mas pelo menos deu suor.
Enfim, o Galo tremeu no Couto Pereira. E não é isso que queremos ver. Aliás, o Galo vem tremendo como vara verde na reta final.
Não é justo irmos para a Libertadores dependendo só da sorte.
Porque a taça, meu amigo, adeus!
E que essa sorte me desminta, pelo amor de Deus!!!